esta mulher que caminha em mundos paralelos
entre indiferença e rotina
sente vontade de juntar na alma pedaços antigos
palavras
que saem da memória
tomam forma no papel

sua carne sua sede sua coragem
sua face afiada

da pele à flor

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Carne Viva

Já não escrevo poemas
falo de improviso
loucuras do coração

e se mergulho no verde de tuas águas
não mais vejo teus olhos
lembro teus beijos um dia
roubados numa noite qualquer.

Recordo as Estações de Vivaldi
quebrando o silêncio do quarto
e nos partindo em dois.

Ao longe tua voz pausada e doce
envenenando meus ouvidos
pela culpa do prazer sentido
e não mais repetido.

E lembro o tempo que passou
sobre o tempo que nos machucou.

Hoje, tantas perdas e derrapagens
tantas mortes depois...
não sou palavras nem metáforas
sou emoção.

E quando mergulho em teus olhos
não mais contemplo a superfície
vejo tua alma despida
desamparada criança
homem perdido

Então, fecho meus olhos

desvendar-te seria possuir
teus mistérios
mais uma vez
sem permissão.

5 comentários:

  1. Que maravilha ler Sansdra Quintella é um carinho na alma!!!
    Tânia Lopes Muri

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  2. Sandra,que lindos os poemas! O segundo me emocionou muito pela beleza, profundidade e maturidade.
    Quero mais!
    Bjos da Eliana

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  3. Querida Tia Sandra, vc deveria ter nascido no dia 8/03 que e o dia international da mulher. Vc representa todas nos. Ate que enfin resolveu a voltar a escrever. BRAVO....
    Um GRANDE BEIJO. ROSA

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  4. Lindíssimo texto... belas palavras...

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